Uma Necessidade de Exame Sobre a Situação do Movimento Tradicional
Por: Jean Vaquié (C.B nº 14)
Tradução: Prof. Gabriel Sapucaia

Uma Necessidade de Exame Sobre a Situação do Movimento Tradicional
Por: Jean Vaquié (C.B, nº 14)
É, portanto, necessário proceder a esse exame, pois ele se tornou indispensável e urgente para aqueles que desejam evitar serem arrastados, como tantos outros, para os areais movediços do pseudo-tradicionalismo.
Desde os primórdios dessa reação, entre 1965 e 1970, foi possível observar uma dualidade entre dois correntes doutrinariamente diferentes, embora mantivessem estreito contato por meio de alguns de seus membros.
Corrente de Contestação Radical
Por um lado, encontramos grupos que contestaram radicalmente a orientação do Concílio Vaticano II, bem como suas fontes pré-conciliares. Esses grupos, com o passar do tempo, se organizaram para lidar com as deserções eclesiásticas, especialmente no plano sacramental, criando capelas, escolas e casas religiosas independentes.
Em 15 anos, essas redes "microcósmicas" se expandiram a ponto de oferecer a quase todos os que realmente desejam uma possibilidade de continuar uma vida católica autêntica, embora enfrentando inúmeras dificuldades. No contexto da dissolução das instituições eclesiais oficiais, esse fenômeno parece ser verdadeiramente providencial.
Corrente de Conciliação Moderada
Por outro lado, existe um número considerável de iniciativas que adotam uma postura diferente, não mais de contestação radical e autossuficiência, mas de uma tentativa de diálogo e influência dentro da hierarquia eclesiástica oficial. Muitas organizações foram criadas com o propósito de protestar, por exemplo, contra os novos catecismos ou contra o abandono do latim e do canto gregoriano na liturgia.
Os defensores dessa linha continuaram, em geral, a participar da práxis da "Nova Igreja", mesmo que passassem o tempo todo criticando o que chamavam de "excessos". Foi assim que, rapidamente, surgiu uma sutil distinção entre o Concílio e o para-Concílio, entre os textos do Concílio e o "espírito do Concílio", entre outras diferenças. Buscava-se, assim, uma forma de se tranquilizar, criando um fosso entre um Concílio que teria promulgado reformas limitadas e prudentes e um pós-Concílio que teria realizado uma revolução intensa e desenfreada.
Essas ideias começaram a ser amplamente repercutidas pelos meios de comunicação, dificultando identificar com precisão sua origem ou fonte exata.
Certamente, é verdade que essa análise correspondia, em grande parte, ao desejo ou sonho de muitos elementos realmente tradicionais. Enfrentando a tormenta da Revolução na Igreja, em que viam desaparecer tanto as bases fundamentais do cristianismo quanto as suas mais queridas e antigas tradições, muitos desses tradicionais recusaram-se a encarar a verdade sobre a revolução em curso. Preferiram, em vez disso, apoiar-se em explicações reconfortantes que os acalmavam em relação ao passado, ao presente e ao futuro.
Entretanto, ao aprofundar a questão, percebe-se que esse movimento de protesto "contra os excessos" reunia pessoas e grupos substancialmente diferentes. Ao lado dos "tradicionais sonhadores", havia indivíduos muito mais seguros de suas posições, porém muito menos tradicionais. A presença desses últimos no movimento é surpreendente, como será analisado a seguir.
O ano de 1968, memorável para todos, desempenhou o papel de catalisador e acelerador do processo revolucionário, tanto no campo religioso quanto no civil. Esse ano fomentou uma atmosfera de anarquia, mais do que de revolução, uma anarquia que rejeitava as instituições, mesmo aquelas que haviam se tornado portadoras da revolução, como frequentemente era o caso na Igreja desde pelo menos 1943-1945.
Esse fenômeno deu origem, nos dois anos que se seguiram a 1968, a uma série de correntes reativas contra a desestabilização e desorganização. Esse movimento foi particularmente notável no meio universitário, onde contribuiu para o surgimento da "Nova Direita". No entanto, ele também se manifestou no seio da Igreja, onde, a partir de 1970, alguns dos mais notórios fomentadores da Revolução Conciliar se reuniram. Os incendiários de outrora de repente descobriram uma vocação de bombeiros.
A explicação clássica dos revolucionários moderados superados pelos extremistas — como os girondinos em oposição aos jacobinos — parece insuficiente para a questão religiosa. Essa tese também não explica o fascínio que tal movimento exerceu simultaneamente sobre cristãos reconhecidos como não progressistas, ou até mesmo tradicionais.
Para compreender esse fenômeno, é necessário aprofundar a análise, explorando a natureza da mensagem cristã e suas relações com o mundo. É preciso situar essa reviravolta dentro da evolução dos pensamentos fora do cristianismo, no contexto de um amplo e nebuloso movimento de rejeição ao racionalismo e de retorno ao espiritualismo — ou a um certo tipo de espiritualismo. Esse movimento começou a surgir há quase um século e começou a ganhar força há cerca de vinte anos[1].
Esse foi precisamente o tema de uma reunião que ocorreu no final do ano de 1971 e que marcou a primeira manifestação de "um grande movimento de recentragem", que prosseguiu posteriormente de forma mais ou menos discreta e que tomou corpo desde então, ao longo de três anos.
Esse colóquio europeu de intelectuais católicos, realizado em Estrasburgo, em novembro de 1971, reuniu mais de uma trintena de participantes sob a direção de alguém que foi o principal promotor desse encontro, o cardeal Daniélou, além de Gérard Soulages. Para que não sejamos excessivamente fastidiosos, o melhor seria fornecer a lista, que é muito esclarecedora por si só:
Além de Soulages e Daniélou, estiveram presentes: Monsenhor Elchinger, bispo de Estrasburgo; Jean Guitton; o Professor Cullman (teólogo luterano e observador oficial do Concílio Vaticano II, que enviou uma carta de aprovação); o cardeal Villot (que enviou um telegrama de encorajamento na qualidade de Secretário de Estado do Papa Paulo VI); o cardeal Journet; Monsenhor Maurice Nédoncelle, decano da Faculdade de Teologia de Estrasburgo; Monsenhor Bruno de Solages, antigo reitor do Instituto Católico de Toulouse; o RP de Lubac SJ; o RP Congar OP; Olivier Lacombe, professor no Collège de France; o cardeal Pellegrino, arcebispo de Turim; Gabriel Marcel; Henri Hours; o RP Holloway; Jacques Perret; Jean de Fabrègues; Claude Bruaire; René Pillorget; o Padre Feuillet PSS; e Rémi Brague, das equipes Ressurreição de Montmartre (que mais tarde se tornaria cardeal Lustiger).
Esse colóquio foi diretamente inspirado pelo "Movimento dos Silenciosos" e, embora não portasse ostensivamente tal etiqueta, estava claramente inserido na intenção compreensível e, aliás, assumida, de não provocar rompimentos ostensivos. Por outro lado, alinhou-se explicitamente com a mensagem dirigida ao Papa Paulo VI, por um certo número de intelectuais católicos, em dezembro de 1968. Tal mensagem de fidelidade foi lançada por Maurice Vaussard e Henri Rollet (os dois nomes citados, vale dizer!), e assinada entre outros por Étienne Gilson, Gabriel Marcel e André Piettre.
Os atos do colóquio foram publicados em uma obra intitulada "Fidelidade e Abertura", cuja leitura é muito enriquecedora, sendo possível encontrar ali, em grande parte, os temas desenvolvidos posteriormente pelos partidários do "Recentramento". Tal obra é indispensável para aqueles que desejam aprofundar-se nesses textos, dos quais nos limitamos aqui a destacar as linhas introdutórias:
"Essa obra é resultado do Colóquio Europeu de Intelectuais Cristãos, ocorrido em Estrasburgo, em novembro de 1971. Filósofos, pensadores, teólogos e todos os que ali se reuniram estavam unidos por uma mesma preocupação: propor uma reflexão sobre a responsabilidade e os deveres dos cristãos em um contexto cultural que questiona as Igrejas, especialmente a Igreja Católica, em questões como a degradação de seus sinais sacramentais, uma nova desordem litúrgica, desorganização das estruturas eclesiais e a perversão da linguagem teológica."
"...
Sua atitude resume-se em duas palavras: Fidelidade e Abertura.
Fidelidade que não seria assimilada a um apego nostálgico ao passado, abertura
que se recusa a ser uma canonização sistemática da mudança."
"Como retomar as Verdades cristãs e reformulá-las para dar respostas aos novos apelos feitos à Igreja, mas seguindo o fio condutor da longa e duradoura Tradição que é a essência mesma da vida, tal é o fundo do debate aqui iniciado."[2].
Uma segunda iniciativa, de grande importância, foi a criação em 1975 da revista "Communio", sob o patrocínio do Padre Hans Urs von Balthasar e sob a impulsão de Monsenhor Joseph Ratzinger, futuro cardeal e futuro chefe do Santo Ofício.
Encontramos desde o primeiro número, em setembro de 1975, alguns dos participantes do Colóquio de Estrasburgo, assim como nomes muito reveladores, como os de dois gnostizantes notórios, Costa de Beauregard e Philippe Nemo, e também o de um jesuíta, o RP Caillaux, dirigente da importante comunidade carismática do Chemin Neuf, em Lyon.
Reunindo uma elite de teólogos e intelectuais, incluindo bons quadros jesuítas, essa revista rapidamente conquistou reconhecimento internacional, sendo publicada em sete idiomas: alemão, francês, inglês, italiano, espanhol, croata e neerlandês, com edições em árabe, português e polonês anunciadas.
Desde o início, essa revista foi apresentada como uma contraposição à revista hiperprogressista "Concilium", considerada a chefe de orquestra da guerra contra a Tradição Católica durante o Concílio Vaticano II. Nos últimos seis anos, a "Communio" difundiu um pensamento teológico de alto nível, alinhado ao Recentramento.
No início de 1982, um terceiro elemento revelador surgiu na França, parecendo testemunhar um progresso e uma diversificação dos temas do Recentramento. A revista "Intégration" é, de fato, uma emanação da revista Communio, uma espécie de prolongamento francês para outros ambientes, já que a revista alemã não podia se dirigir diretamente a esses círculos. Por isso, o título "Intégration" foi escolhido.
Pode-se distinguir na revista francesa a mesma inspiração de certos jesuítas, como o RP de Finance, assim como uma abertura não disfarçada para os meios católicos tradicionais, seja por uma entrevista de Monsenhor Ducaud-Bourget ou de outro clérigo, o Padre de Nantes, e por referências a certas revistas como Itinéraires, Una Voce, La Pensée Catholique, Défense de l'Occident, Lecture et Tradition, entre outras.
Também se encontra um artigo de Jean Borella sobre "Modernismo e Modernidade", no número de julho-agosto de 1982, assim como várias referências a redes neognósticas: cita-se o Centro de Estudos Evélios, dirigido por Léon Colas (autor de um poema publicado por Intégration) e que edita um boletim sobre estudos evélios na região parisiense. Ou ainda, a revista italiana "Labrys", editada em Florença pelo Instituto de Estudos Tradicionais, que publica textos muçulmanos, hindus, budistas japoneses, persas e espanhóis (de Santa Teresa D'Ávilla).
Entre
os outros colaboradores da revista, podemos citar ainda:
Michel Bertrand, diretor de uma coleção da editora Albin Michel e autor
de um artigo sobre "Amor e Contemplação". Ele publicou estudos
sobre simbolismo e espiritualidade gnósticos, como "Os Místicos do
Sol" e "Julius Evola, o Visionário Fulminado", ambos
pelas edições Copernic.
Além disso, destaca-se Béatrice Clémentine, autora de trabalhos sobre
Mestre Eckhart, cuja publicação na revista foi anunciada. Por fim, não se pode
esquecer do responsável pela organização editorial, Yves Chiron, que
escreveu um artigo favorável à obra de Evola sobre o tantrismo, "Cavalgar
o Tigre".
A curta duração da revista "Intégration"
A revista Intégration não durou muito, cerca de um ano apenas, apesar de sua qualidade indiscutível — ou talvez exatamente por isso, já que seu posicionamento estava claramente definido para o público-alvo, talvez em um momento prematuro.
Não surpreende encontrar Yves Chiron, mais tarde, entre os redatores da revista "Kebis", dedicada à temática "Revolução Sexual e Tradição", publicada pelas Edições Pardès, um importante centro de difusão gnóstica. Da mesma forma, ele assinou em 1985 um artigo sobre astrologia na revista guénoniana "Vers la Tradition", já mencionada em edições anteriores.
Após essa rápida visão geral, pode-se perceber que o movimento do Recentramento realiza, de fato, a fusão de três correntes diferentes. Essas correntes, com temas favoritos que se entrelaçam de forma sutil, conseguem enganar muitos católicos tradicionais, habituados a reagir positivamente a palavras-chave específicas.
A Corrente Progressista: Essa corrente é composta por progressistas de diferentes graus: desde os moderados, que desejam apenas "modernizar" a Igreja e se alarmam ao vê-la em ruínas, até os extremos, que queriam mudar tudo na Igreja, mas agora se preocupam com a destruição das estruturas mais básicas.
Esses progressistas mais radicais reconhecem que a manutenção do quadro institucional é indispensável para sua empreitada. São comparáveis àqueles citadinos que compram uma velha casa de campo, a destroem completamente e depois a reconstroem preservando apenas as paredes principais.
Os membros dessa corrente, já bastante heterogênea em si, com motivações múltiplas e diversas, procuram evitar excessos e estabelecer uma média entre as posições extremas dos tradicionais e dos progressistas. Seu lema poderia ser: "nem muito, nem pouco".
A Corrente Neognóstica: Formada por aqueles que, há pelo menos cinquenta anos, se afastaram do racionalismo predominante, tanto dentro quanto fora da Igreja, e que buscam construir um novo espiritualismo.
Frequentemente, esses neognósticos recorrem a uma das muitas variantes espirituais orientais, mas, como já estudamos muitas vezes, trata-se apenas de revitalizar o antigo panteísmo universal e a velha gnose pagã, apresentando-os com roupagens mais modernas.
Dentro dessa corrente também existem várias tendências: algumas mais místicas, outras mais científicas, que podem até se rivalizar, mas isso não deve nos iludir.
A Corrente dos Tradicionalistas Moderados: Composta por católicos tradicionais que podem ser qualificados como "moderados" ou, mais precisamente, como "moderadamente tradicionais". Esses indivíduos não compreenderam plenamente a crise na Igreja nem o contexto em que ela ocorre.
Geralmente oriundos de círculos liberais que, desde o final do século XIX, acompanharam, com maior ou menor entusiasmo, as primeiras transformações da Igreja em aspectos sociais, políticos e intelectuais, esses católicos começaram a sentir desconforto quando o sancta sanctorum da religião — os sacramentos, a vida religiosa, as paróquias e até os dogmas — foi severamente ameaçado.
Não acostumados a contestar a evolução eclesial em suas etapas iniciais, muitos seguiram a orientação conciliar até o ponto de saturação, limitando-se a protestar e reivindicar precisamente aquilo que lhes havia sido deliberadamente retirado.
Esses indivíduos ficaram, portanto, muito felizes em encontrar pelo caminho os membros dos dois primeiros grupos mencionados (progressistas e neognósticos), entre os quais havia numerosos teólogos plenamente conciliares e, como vimos, até bispos, com a bênção de Roma (já sob Paulo VI). Para esse público específico, surgiu há alguns anos uma revista internacional de grande circulação chamada Famille Chrétienne, publicada em diversos países da Europa. A publicação apresenta, de maneira muito evidente e até gritante, um verdadeiro patchwork de noções e temas tradicionais e progressistas.
É essencial compreender a composição tripla desse movimento de Recentramento para analisar os eventos que vivemos nos últimos três anos. Essa compreensão compensa, em parte, a falta de perspectiva histórica que prejudica uma análise mais precisa.
O elemento novo e extraordinário no desenvolvimento desse processo foi o raliamento de um quarto grupo: uma parte — talvez a maior parte — dos grupos que inicialmente se opuseram radicalmente à revolução conciliar. Esses grupos, anteriormente destacados como oposição, passaram a integrar o movimento do Recentramento.
Três elementos corroboram a certeza desse fenômeno, embora seus vínculos profundos permaneçam misteriosos. No entanto, a conexão entre eles é evidente e impossível de ignorar:
- A chegada de novos pontífices ao trono papal, sobretudo João Paulo II.
- Os diálogos de paz entre Roma e os católicos tradicionais, fundamentados em dois pontos principais:
o "Permitam-nos realizar a experiência da Tradição."
o "Vamos
interpretar o Concílio Vaticano II à luz da Tradição."
O fruto mais recente dessa manobra foi o Indulto para a celebração da
missa tradicional.
- A infiltração dos círculos tradicionais por elementos neognósticos.
o Isso começou com a revista La Pensée Catholique, passando pelo Instituto São Pio X, pelas edições Fideliter, pelo jornal Présent e pela revista Itinéraires. Outros grupos, que ainda estão mascarados, também seguem essa linha.
Esse caminho, longo e silencioso, já havia sido denunciado por nós há anos, mas enfrentou uma incredulidade quase universal. Agora, ele nos levou a uma nova situação, ainda em pleno movimento, que requer análise detalhada.
Em 1980, no número 3 deste boletim, publicamos um artigo intitulado "Cristianismo e Revolução: Primeiras Abordagens", reproduzido recentemente no número 11. Esse artigo oferecia um panorama histórico das agressões contra a Igreja, mas já indicava a necessidade de uma sequência que tratasse da situação contemporânea — não como um fruto exclusivo dos séculos passados, mas como algo que carrega em si as sementes do futuro.
Essa segunda análise, ou segunda parte, pode agora ser publicada sob um título que todos compreenderão: "Cristianismo e Revolução: a Pseudo-Síntese".
Porque, além dessas reconciliações variadas e desse "retorno ao centro", o verdadeiro objetivo final — o propósito mais profundo — do atual pontificado e de seus seguidores é o ecumenismo.
O número 4/5 da revista guénoniana "Vers la Tradition", publicado durante o verão de 1983, foi muito esclarecedor a esse respeito, e foi amplamente citado e comentado em nosso Boletim n.º 12, intitulado "Gnose e Gnosticismo na França no Século XX", especialmente nas páginas 11 e 12.
O Sr. Borella argumentava que o catolicismo, a ortodoxia, o protestantismo e o anglicanismo seriam quatro estilos religiosos inevitavelmente gerados pelo encontro de uma mesma revelação com diferentes temperamentos culturais. Baseando-se no princípio de que a fé cristã repousa sobre um "triângulo de fundamentos" — a Tradição Apostólica oral, a Tradição escrita bíblica e a Tradição dogmática eclesial —, ele considerava que:
- Os gregos permaneceram fiéis à Tradição Apostólica oral;
- Os protestantes, à Tradição escrita bíblica;
- Os católicos, preservaram apenas a letra do dogma.
Para deixar sua posição ainda mais clara, ele concluiu com as seguintes palavras:
"Se existe uma possibilidade de praticar um ecumenismo verdadeiramente tradicional, ela não passa por alianças superficiais ou pelo apagamento da especificidade do cristianismo. Tal possibilidade só reside no esforço para redescobrir, no interior de cada forma e da sua própria integridade, os vestígios complementares do cristianismo integral, que um melhor conhecimento das outras formas poderá revelar a nós. No dia em que os católicos finalmente redescobrirem o senso da transcendência soberana do Pai e da imanência delicada do Espírito, a Igreja de Pedro se tornará verdadeiramente 'OIKOUMENIKÉ', a Igreja universal para todos os povos no Jesus-Cristo."
A parte dos ignorantes, quem não entendeu?
O tempo das ignorâncias — sejam elas fingidas ou reais — acabou. Chegou o momento das responsabilidades de cada um, seja clérigo ou leigo. É um tempo inevitável em que todos terão que se posicionar claramente em meio a uma situação confusa, uma verdadeira batalha quase inextricável, onde em breve não será mais possível saber quem ainda é católico e quem já não é mais.
Este é o belo resultado, na verdade, da covardia daqueles que deveriam ter sido guias ... mas que, na melhor das hipóteses, não foram mais do que avestruzes.
[1] Sobre este ponto, leia o artigo "Cristianismo e Evolução", publicado no Boletim nº 3 e reproduzido em segunda edição no nº 11. Este tema também foi o foco do Colóquio da S.A.B., que reuniu, no mês de agosto de 1982, cerca de cinquenta participantes para estudar "o espiritualismo subversivo", desde suas origens até os dias atuais.
[2] "Fidelité et Ouverture", Edições Mame - 1972. Da maioria das comunicações desse colóquio, poderia ser extraída uma abundância de citações que estabelecem a doutrina do Recentramento. Seria necessária outra obra específica, particularmente rica e bem fundamentada.